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Sandrine
BÈGUE, p. 129-150
ÉLITES BRAHMANES ET POUVOIR CENTRAL À GOA DURANT LE CONFLIT LUSO-INDIEN
(1947-1961)
Premier pouvoir à Goa, lélite brahmane et chardo, catholique comme
hindoue, a veillé à maintenir son influence dans le respect dun système de castes
adroitement juxtaposé à lordre portugais. Malgré la méfiance du pouvoir envers
ses élites indigènes, ces dernières demeurent les intermédiaires incontournables entre
la population goanaise et le gouvernement colonial. Mais lomniprésence des hautes
castes aux rênes de ladministration locale comme au conseil législatif du
gouvernement est également un obstacle au rapprochement du gouverneur avec une population
tenue à lécart de toute promotion sociale.
Le projet intégrationniste de Nehru sur Goa remet alors en question ce « consensus »
administratif colonial. Lélite tente de faire entendre ses aspirations autonomistes
auprès dun régime agonisant. La volonté douverture du dernier gouverneur de
Goa, Manuel António Vassalo e Silva, vers la nomination de Goanais aux postes
décisionnels, est tardive et insuffisante, sadressant surtout à une élite sans
véritable représentativité et déjà tournée vers la négociation du maintien de ses
monopoles dans une Goa sous administration indienne.
ELITES BRÂMANES E O PODER CENTRAL EM
GOA DURANTE O CONFLITO LUSO-INDIANO (1947-1961)
Primeiro poder em Goa, a elite brâmane e chardo, católica como hindu, procurou
manter a sua influência no respeito de um sistema de castas habilmente justaposto à
ordem portuguesa. Apesar da desconfiança por parte do poder relativamente às elites
indígenas, estas últimas continuam a ser os intermediários incontornáveis entre a
população goesa e o governo colonial. No entanto, a omnipresença das altas castas nas
rédeas da administração local como no conselho legislativo do governo é também um
obstáculo à aproximação do governador a uma população afastada de qualquer
promoção social.
O projecto integracionista de Neru relativamente a Goa põe então em questão este «
consenso » administrativo colonial. A elite tenta fazer ouvir as suas aspirações
autonomistas junto de um regime em agonia. A vontade de abertura do último governador de
Goa, Manuel António Vassalo e Silva, para a nomeação de Goeses para os cargos de
decisão é tardia e insuficiente, dirigindo-se sobretudo a uma elite sem uma verdadeira
representatividade e já interessada na negociação da manutenção dos seus monopólios
numa Goa sob administração indiana.
BRAHMIN ELITES AND CENTRAL POWER IN GOA DURING
THE LUSO-INDIAN CONFLICT (1947-1961)
As the leading power in Goa, the Brahmin and Chardo elite, Catholic and Hindu alike,
strove to uphold its influence via a caste system that was carefully juxtaposed with the
Portuguese order. Despite the wariness of the authorities towards indigenous elites, they
remained an essential intermediary between the Goan population and colonial government.
But the omnipresence of high castes at the reins of local administration and in the
legislative council of the government was also an obstacle to closer relations between the
governor and a local popu¬lation excluded from any social promotion.
Nehrus integrationist project for Goa then challenged this colonial administrative
consensus. The elite attempted to impress its autonomist aspirations on the
failing regime. The desire of the last governor of Goa, Manuel António Vassalo e Silva,
to appoint Goan people to decision-making positions, was a case of too little too late,
addressed as it was mainly to an elite that was not genuinely representative, and was
already looking to negotiate to continue its monopoly in a Goa under Indian
administration. |