|
Nicole
KHOURI & Joana PEREIRA LEITE, p. 3-50
LES INDIENS DANS LA PRESSE COLONIALE PORTUGAISE DU MOZAMBIQUE 1930-1975
Quelle est la nature de la présence indienne au Mozambique entre 1930 et 1975 ? Cet
article cherche à la saisir telle quelle fut attestée dans les journaux locaux de
lépoque, dun double point de vue : celui des représentations que sen
faisaient les colons, les officiels du régime de lEstado Novo, ainsi que
celles des « naturais » (blancs nés dans la colonie puis par extension les
métis et les noirs « assimilés »), des porte-parole de la population indigène
(africains noirs) et dautre part, celui de la diaspora elle-même,
cest-à-dire de ceux et de ce quelle voulait ou pouvait donner à voir. Ainsi
la lecture de la presse a-t-elle été fondée sur lhypothèse dun projet de
modernisation dun État autoritaire qui, pour la première fois dans lhistoire
de lEmpire, crée dans sa colonie un champ social, en organisant les divers groupes
en tant quacteurs, lesquels sont amenés à se définir, de façon différenciée
autour denjeux communs. De cette nouvelle histoire, les Indiens sont partie
prenante.
La question fondamentale devient celle du passage, en moins dun demi-siècle,
dune situation de juxtaposition, voire de ségrégation, à leur incorporation dans
un projet à la fois social et national. La presse qui, en principe, rend compte de la vie
quotidienne dune société, permet-elle de saisir une partie de lhistoire
sociale de cette diaspora et des avatars de sa construction identitaire ? Quelles sont les
composantes de la communauté indienne qui se sont davantage prêtées à une certaine
visibilité ? À quels moments et sous quelles formes ?
A imprensa colonial portuguesa de
Moçambique e os indianos (1930-1975)
Este artigo procura compreender, de um duplo ponto de vista, a natureza da presença
indiana em Moçambique tal como ela é testemunhada nos jornais da colónia entre 1930 e
1975 : por um lado, analisam-se as representações que dela faziam os colonos,
funcionários do Estado Novo, e representantes da população autóctone ; por
outro, atende-se às visões que a diáspora produz de si mesma, por intermédio de alguns
membros da comunidade, e ainda ao que ela queria ou podia dar a ver e si mesma. Uma
hipótese decorrente da leitura da imprensa aponta para a existência do projecto de
modernização de um Estado autoritário que, pela primeira vez na história do Império,
cria na sua colónia um campo social, organizando os diversos grupos enquanto actores, os
quais seriam levados a definir-se, de forma diferenciada, em torno de desafios comuns. Os
indianos fazem parte integrante desta nova história.
Neste quadro, a questão essencial é a da passagem, em menos de meio século, de uma
situação de justaposição mas de segregação, para a sua incorporação num projecto
simultaneamente social e nacional. Em que medida a imprensa, vocacionada à partida para
dar conta da vida quotidiana de uma sociedade, permitirá construir um segmento da
história social dessa diáspora e das mutações da sua construção identitária ? E
quais as componentes da comunidade indiana que mais se prestaram a uma certa visibilidade
? Em que momentos e sob que formas ?
The Portuguese Colonial Press in
Mozambique and the Indian Community (1930- 1975)
The aim of this article is to ascertain the nature of the Indian presence in Mozambique as
portrayed in this colonys newspapers between 1930 and 1975. This exercise is carried
out from a twin perspective: on the one hand, by assessing the representations of this
community among the colonists, public officials of the Estado Novo and
representatives of the autochthonous population; on the other, by taking into account both
the way in which this diaspora regarded itself (as expressed by some of its members) and
the way in which it sought or was able to present itself to those outside the
community. The hypothesis that underlies this survey is that of a project of
modernisation by an authoritarian state, which, for the first time in the history of
this Empire, created in this colony a social setting in which the various groups
that made up society were regarded as actors and led to organise themselves in different
ways around a series of com¬mon challenges and goals. The Indian community was part and
parcel of this new (hi)story.
The most fundamental and perplexing issue for this group consisted in its transformation
(in less than half a century) from a situation of juxtaposition or even segregation, into
one that sought the incorporation into a shared national and societal project. To what
extent does the press whose basic function consists of providing an account of a
societys daily life show a part of this diasporas social history and
evolving identity? Which segments of the Indian community lent themselves to greatest
visibility? How and under which circumstances? |