João Filipe MARQUES, p. 71-88


« LES RACISTES, C’EST LES AUTRES »
Les origines du mythe du « non-racisme » des Portugais

Il existe dans la société portugaise le « préjugé de ne pas avoir de préjugés ». D’où provient, alors, ce mythe si résistant du « non-racisme » des Portugais ? Les a-t-il immunisés relativement aux formes les plus virulentes de racisme envers les populations issues de l’immigration africaine ? Ce fut suite aux attaques internationales contre la domination coloniale que, dans les années 1960, le régime de Salazar s’est approprié la doctrine lusotropicaliste de Gilberto Freyre. Il était devenu nécessaire de convaincre le monde et les Portugais tant de l’absence de racisme dans l’« essence » de l’être portugais, que de l’« harmonie » raciale vécue aux colonies.
Le « non-racisme » des Portugais est alors devenu non seulement une caractéristique de l’idéologie de l’État, mais un mythe fondateur de l’expansion portugaise dans le monde. Il a fini par contribuer à façonner la réalité sociale et culturelle contemporaine. Les manifestations de racisme contre les populations d’origine africaine obéissent ainsi encore à la logique inégalitaire et d’infériorisation, et non, jusqu’à maintenant, à celle du racisme différentialiste. Ainsi, il n’y a pas encore eu d’exploitation politique du racisme sur le terrain politique, comme on a pu l’observer dans d’autres pays européens.

Racistas são os outros. As origens do mito do « não racismo » dos portugueses
Existe na sociedade portuguesa « o preconceito de não ter preconceitos ». De onde vem, então, este mito tão resistente do « não racismo » dos portugueses ? Poderá ele desempenhar o papel de «hipocrisia criadora» imunizando os portugueses relativamente às formas mais virulentas de racismo relativamente às populações originadas pela imigração africana? Foi na sequência dos ataques internacionais à situação colonial que, nos anos sessenta do Século XX, a doutrina lusotropicalista de Gilberto Freyre vai ser apropriada pelo regime de Salazar. Tornou-se necessário convencer o mundo e os portugueses da ausência de racismo na « essência » do ser português.
O « não-racismo » tornou-se num mito fundador da expansão portuguesa no mundo. Mas procurando justificar uma situação inequivocamente racista – a dominação colonial – transformou-se, de certa forma, numa « hipocrisia criadora » : acabou por contribuir para condicionar a realidade social e cultural contemporânea. Através de uma espécie de «efeito perverso», tendo querido justificar e prolongar a situação colonial, o Estado Novo inoculou nos portugueses uma espécie de vacina que tem impedido, até agora, as manifestações de «racismo diferencialista» e a passagem do racismo para o terreno do político.

The racists are the others. The origins of the Portuguese “are not racist” myth
It is said that in Portuguese society there is « the prejudice not to have prejudices ». If it is the case, where does this long resisting myth of Portuguese « not being racist » come from? Have they been immunized against the most violent form of racism toward immigrated population of African origin? After the international attacks in the 1960s against the colonial domination, the Salazar’s regime took hold of Gilberto Freyre’s lusotropicaliste doctrine. It became necessary to persuade the world and the Portugueses of the absence of racism in the « essence » of the Portuguese being as well as the racial « harmony » lived in the colonies.
The Portuguese « non-racism » thus began to be not only a characteristic of the ideology of the State but also a founding myth for the world wide Portuguese expansion. It eventually ended up in contributing to mould the social and cultural contemporary reality. Racist manifestations against populations of African origin still obey to the inegalitarian and inferiorization logic rather than, until now, to the differencialist racism logic. Up to now, there is no political exploitation of racism on political ground, as it can be observed in other European countries.